Autodesk® University 2026: IA agêntica, Project Intelligence e workflows conectados apontam a próxima fase da Autodesk®
A Autodesk® University 2026 aconteceu entre 15 e 17 de setembro, em Las Vegas, com participação presencial e digital. A Autodesk® apresenta esta edição como um encontro de mais de 12 mil profissionais de Design & Make, com mais de 500 sessões de aprendizado, três dias de programação e discussões que passam por Inteligência Artificial, dados conectados e workflows integrados.
Mas, depois dos primeiros keynotes, demonstrações e anúncios, fica claro que o principal assunto deste ano não é simplesmente a inclusão de mais recursos de IA nos softwares.
A mudança proposta pela Autodesk® é mais ampla: fazer com que a Inteligência Artificial consiga trabalhar com o contexto real de um projeto, e não apenas com aquilo que o usuário escreve em um prompt.
Da IA que responde para a IA que entende o projeto
Um dos conceitos centrais apresentados no AU 2026 é o de Project Intelligence.
Para a Autodesk®, ferramentas de IA aplicadas às indústrias de Design & Make precisam compreender elementos que uma IA generalista nem sempre conhece: geometria, modelos, materiais, cronogramas, restrições, relacionamentos entre informações e decisões tomadas ao longo de um projeto.
É justamente esse contexto que passa a ter um papel central na evolução do Autodesk® Assistant.
Em vez de trabalhar apenas com a pergunta enviada pelo profissional, a visão apresentada pela Autodesk® é permitir que o Assistant utilize informações conectadas sobre pessoas, atividades, decisões e dados do projeto para entregar respostas e ações mais relevantes.
Em uma frase, talvez esta seja uma das melhores formas de resumir a mudança apresentada no evento:
A Autodesk® quer que a IA deixe de entender apenas o prompt e passe a entender o projeto por trás dele.
Essa frase é uma síntese editorial da ETC Brasil baseada na arquitetura apresentada pela Autodesk®, e não uma citação literal da companhia.
Uma nova geração do Autodesk® Assistant
Durante o primeiro keynote, a Autodesk® apresentou uma prévia da próxima geração do Autodesk® Assistant, desenhada para trabalhar além dos limites de um único produto.
Hoje, o Assistant já está disponível em diferentes soluções Autodesk®. A novidade apresentada no AU é uma experiência mais ampla, capaz de conectar capacidades entre produtos, projetos e equipes, partindo daquilo que o profissional quer realizar.
Na prática, a proposta é reduzir a necessidade de o usuário descobrir sozinho qual produto, comando ou recurso deve usar para executar determinada tarefa. O Assistant passa a funcionar como uma camada capaz de trazer o contexto e as capacidades relevantes para aquele objetivo, mantendo a decisão final nas mãos do profissional.
No LinkedIn, a própria Autodesk® University resumiu quatro destaques do primeiro dia: a próxima geração do Assistant baseada em Project Intelligence; Assistant Builder; AI Orchestrator; novas capacidades de IA em Forma, Fusion, Revit e Flow; e uma experiência de PLM agêntico no Fusion.
O keynote oficial do primeiro dia também apresentou essa discussão dentro de uma tese maior: utilizar IA para reduzir trabalho repetitivo e ampliar a capacidade das equipes, mantendo expertise e julgamento humano no centro do processo.
Assistant Builder e AI Orchestrator: IA mais aberta
Outro aspecto importante da estratégia é que a Autodesk® não pretende limitar essa inteligência somente aos agentes desenvolvidos internamente.
O Autodesk® Assistant Builder foi apresentado como uma forma de permitir que organizações conectem seus próprios agentes, ferramentas, servidores MCP, fontes de dados e soluções de parceiros ao Autodesk® Assistant.
Já o Autodesk® AI Orchestrator deverá selecionar o modelo mais adequado para cada tarefa levando em conta fatores como precisão, velocidade, segurança e custo, evitando que o usuário precise decidir manualmente qual modelo utilizar.
É um movimento importante porque transforma a integração com o ecossistema Autodesk®. A lógica deixa de ser apenas “um sistema envia dados para outro” e passa também a envolver inteligência, contexto e ações entre agentes.
Importante: parte dessa nova experiência ainda é preview
Existe uma diferença que precisa ficar clara.
O Autodesk® Assistant já está disponível atualmente em vários produtos, incluindo soluções das nuvens Forma, Fusion e Flow. Entretanto, a experiência expandida e agêntica apresentada no AU 2026 ainda não está disponível de forma geral.
A Autodesk® afirma que os detalhes de disponibilidade, regiões, assinaturas e rollout dessa próxima geração serão comunicados em 2027, incluindo uma experiência standalone planejada para esse período.
Portanto, não seria correto dizer que “a Autodesk® já lançou um Assistant que trabalha sozinho entre todos os softwares”. O que foi apresentado no AU 2026 é a visão e o preview da próxima etapa dessa experiência.
Forma, Revit e Civil 3D: uma mudança importante para AEC
Na área de arquitetura, engenharia e construção, um dos anúncios mais estratégicos está na expansão do Autodesk® Forma.
A Autodesk® define o Forma como sua nuvem industrial end-to-end para AEC e anunciou que o Civil 3D será um novo Forma Connected Client, aproximando o trabalho de planejamento, arquitetura e engenharia civil através de contexto e dados compartilhados.
A proposta é permitir que informações do Civil 3D possam alimentar etapas de planejamento e design no Forma e continuar sendo utilizadas nos fluxos detalhados de engenharia, reduzindo reconstruções manuais de informação entre ferramentas. A Autodesk® também apresentou o Forma Street Design, voltado às etapas iniciais de projeto de vias urbanas.
No Forma Site Design, o Autodesk® Assistant deverá conseguir responder perguntas em linguagem natural sobre o terreno e o contexto de um projeto. O Building Layout Explorer poderá gerar e comparar alternativas de layouts multifamiliares.
Já no Revit, a Autodesk® apresentou novos workflows com IA capazes de auxiliar na conclusão de elementos de ambientes, otimização de anotações e automação de documentação em diferentes vistas, sempre com revisão e aceite do profissional.
E o Revit? A Autodesk® foi mais clara sobre o futuro
Talvez uma das informações mais importantes — e que merece ser comunicada sem sensacionalismo — esteja no FAQ oficial publicado durante o AU.
Questionada diretamente sobre se o Forma substituirá o Revit, a Autodesk® responde que, ao longo do tempo, sim: mais do trabalho realizado hoje no Revit deverá acontecer diretamente no Forma. Ao mesmo tempo, a companhia afirma que não haverá uma transição repentina e que continuará desenvolvendo o Revit e aprofundando sua conexão com o Forma.
Isso não significa que “o Revit acabou” ou que haverá uma substituição imediata.
O que a Autodesk® está sinalizando é uma direção estratégica de longo prazo: cada vez mais workflows de design, análise, coordenação e documentação deverão migrar para uma experiência baseada em nuvem e conectada pelo Forma, enquanto o Revit continua fazendo parte desse processo de transição.
Esse é um dos pontos que profissionais, empresas e instituições de ensino devem acompanhar com mais atenção nos próximos anos.
Fusion, Inventor e Vault: IA aplicada à engenharia e manufatura
Na indústria de design e manufatura, a Autodesk® apresentou aplicações de IA focadas principalmente em automação e redução de tarefas repetitivas.
Entre os recursos anunciados estão AutoTimeline, AutoAssemble e System Modeler, além de uma nova experiência de PLM agêntico no Fusion. O Autodesk® Assistant também está sendo ampliado para workflows envolvendo Inventor e Vault.
A empresa destaca que IA aplicada ao mundo físico precisa trabalhar sob um nível maior de precisão: geometrias, intenção de engenharia, processos produtivos e requisitos do ciclo de vida precisam fazer parte do contexto antes que uma recomendação seja considerada útil.
Esse raciocínio aparece repetidamente no AU: em atividades que resultarão em um produto, edifício ou infraestrutura real, uma resposta “provavelmente correta” não é suficiente.
Design, Make e agora Operate: o ciclo começa a se fechar
Outro movimento importante aparece depois que um projeto é construído ou um produto é fabricado.
Na AU 2026, a Autodesk® mostrou uma integração entre Tandem e Forma, permitindo reunir dados BIM e de fabricação na estrutura de um gêmeo digital voltado à operação. Também foi anunciada uma integração entre Tandem e FlexSim, permitindo simular diferentes cenários operacionais antes de mudanças físicas serem executadas.
A estratégia se estende à MaintainX, hoje parte da Autodesk®. Em uma demonstração apresentada no evento, dados operacionais poderiam identificar um ativo fora de sua faixa normal de funcionamento e iniciar um workflow de manutenção antes de uma falha.
A visão é criar um ciclo no qual aquilo que acontece durante a operação de um ativo volte a gerar conhecimento para futuros projetos.
Assim, Design → Make → Operate deixa de funcionar como uma sequência de etapas isoladas e passa a ser tratado como um fluxo contínuo de informações.
Flow, Maya e o princípio de “dirigir”, não apenas gerar
Na área de mídia e entretenimento, a Autodesk® está adotando uma abordagem semelhante, mas com uma preocupação particular: preservar o controle criativo.
No Maya, o MotionMaker foi demonstrado automatizando movimentos fundamentais de animação, incluindo transições, velocidade, direção e saltos. Mas o resultado continua sendo entregue como curvas de animação editáveis, permitindo que o artista refine e dirija o movimento depois da geração.
No Flow Studio, a combinação de 3D Editor + Canvas permite separar e controlar elementos como personagem, performance, câmera, ambiente e animação. A proposta é permitir que o profissional modifique esses componentes sem precisar reconstruir toda a cena a cada alteração.
A tese da Autodesk® para essa área é clara: automação não precisa significar perda do controle criativo. O objetivo apresentado é utilizar IA para acelerar pontos de partida e tarefas repetitivas enquanto as decisões permanecem com o artista.
Quanto mais IA, mais importante se torna a transparência
A expansão da IA também colocou outra discussão no centro do evento: confiança.
A Autodesk® ampliou suas AI Transparency Cards e passou a disponibilizar essas informações diretamente pelo Autodesk® Assistant. Assim, o usuário pode perguntar como determinada funcionalidade utiliza dados, quais proteções existem, quais são suas limitações, qual modelo está por trás do recurso e qual supervisão humana é aplicada.
Segundo a Autodesk®, os cartões existem desde 2024 e funcionam como uma espécie de ficha explicativa de cada capacidade de IA. A atualização apresentada no AU leva essas respostas diretamente para o contexto em que o usuário está trabalhando.
A própria documentação da empresa ressalta que a forma como dados são utilizados varia por funcionalidade e que existem políticas específicas de minimização, filtragem, controle de acesso e processamento seguro.
Para empresas que lidam com propriedade intelectual, projetos de clientes ou infraestrutura crítica, esse tema tende a se tornar tão importante quanto a capacidade técnica da própria IA.
O segundo dia reforçou uma tese: IA + dados + workflows
Depois de um primeiro dia concentrado em anúncios e previews, a própria Autodesk® University resumiu o segundo dia em três ideias: experiências de IA e agentes fundamentadas em contexto da indústria; dados e workflows conectados ao longo do ciclo de vida; e automação de tarefas repetitivas para liberar profissionais para atividades que exigem expertise.
Isso ajuda a interpretar a edição de 2026.
O evento não está apenas apresentando funcionalidades isoladas. E sim, a Autodesk® está tentando construir uma narrativa em torno de capacidade: usar IA e dados conectados para permitir que equipes façam mais sem retirar o julgamento humano das decisões de maior impacto.
E o que isso significa para educação e capacitação?
O impacto dessa transformação não fica restrito às empresas.
Dados publicados pela Autodesk® em seu 2026 AI Jobs Report mostram que vagas relacionadas à IA nas indústrias de Design & Make cresceram 147% em dois anos. Na América do Sul, o crescimento anual reportado para 2026 foi de 33%.
O estudo também identificou um gap importante entre familiaridade com IA generalista e domínio de IA específica da profissão. Entre estudantes pesquisados nos Estados Unidos, 82% disseram ter confiança em ferramentas cotidianas de IA, enquanto apenas 36% disseram se sentir confiantes com ferramentas de IA específicas de suas futuras áreas profissionais. Assim, entre os profissionais pesquisados, a diferença foi de quase 80% contra 49%.
Como essa parte da pesquisa foi realizada nos Estados Unidos, esses percentuais não devem ser tratados como retrato direto do mercado brasileiro.
Em junho, antes da AU, a Autodesk® também anunciou um compromisso de US$ 350 milhões ao longo de três anos para ampliar acesso à tecnologia profissional, capacitar quase um milhão de estudantes, educadores, profissionais e pessoas buscando trabalho em workflows com IA e apoiar mais de 200 mil certificações reconhecidas pela indústria.
No próprio AU 2026, participantes elegíveis do evento presencial têm acesso a testes de certificação Autodesk® gratuitos no local, sujeitos à disponibilidade.
A leitura da ETC Brasil
A combinação desses anúncios aponta para uma mudança importante na formação dos profissionais Autodesk®.
Saber utilizar um software continua sendo fundamental. Mas o profissional que trabalhará nesse novo ecossistema precisará compreender cada vez mais o processo, os dados, a conexão entre ferramentas e a forma como a IA participa do workflow.
A capacitação tende, portanto, a evoluir de “aprender comandos” para “aprender a resolver problemas dentro de um ambiente digital conectado”.
Essa é uma leitura editorial da ETC Brasil, construída a partir dos anúncios apresentados no AU 2026, e não uma nova exigência formal de certificação ou treinamento anunciada pela Autodesk®.
o futuro que a Autodesk® está construindo parece cada vez menos centrado em produtos individuais e cada vez mais organizado em torno de dados, contexto, IA e workflows conectados.















